
2023. Um amigo meu, também desenvolvedor, estava viajando e tentando manter a dieta. Não achava lugar nenhum que deixasse ele pedir comida nas porções exatas que ele precisava. De raiva, mandou um áudio pra gente reclamando.
Aquele áudio foi o estopim.
Junto com outro amigo, também dev, a gente decidiu construir a parada. Compramos o domínio marmita.fit porque era perfeito demais pra deixar passar, e começamos terceirizando cozinha e entrega pra sair do lugar rápido. No caminho trouxemos uma nutricionista e chef como sócia, depois investimos na nossa própria cozinha, e desde então é só crescer.
Hoje o marmita.fit já atendeu mais de 1.000 clientes e está chegando em seis dígitos por mês. Eu desenhei a marca, a embalagem e o produto, construí a plataforma inteira, e ainda toco ela. Então nada aqui é mockup ou "e se". Foi pro ar, funciona, e está dando dinheiro agora.
O hero é marmita de verdade, feita na nossa cozinha, passando pela tela. Comida é uma coisa sensorial e foto parada simplesmente não vende. Eu queria que os três primeiros segundos no site parecessem passar na frente de uma bancada de cozinha em vez de rolar um cardápio.
Esse é o coração do negócio e o motivo de ele existir. Nossos concorrentes ainda anotam pedido no WhatsApp com marmita pronta e fixa. A gente dá uma interface onde a pessoa escolhe exatamente o que vai no prato e quanto de cada coisa.
Assim que a pessoa começa a montar o pedido, uma barra de progresso acompanha o carrinho até os R$100 (o pedido mínimo). Em vez de simplesmente travar o checkout abaixo disso, a barra transforma o valor numa meta pra bater, com confete quando chega lá.
E não para por aí. A barra reseta pra uma segunda meta em R$250, dessa vez pra frete grátis. Dois limites, duas recompensas, os dois virando pequenos momentos de feedback em vez de regra silenciosa. É game design puro, barra de progresso e recompensa por marco, jogado em cima de algo tão sem graça quanto um pedido mínimo. Aumenta o ticket e nunca parece upsell.
Coisa pequena, mas que diz muito sobre como a gente constrói aqui. Na página do carrinho a UI literalmente "sela" a marmita com um plástico transparente, então dá pra sentir que dali em diante as escolhas estão travadas. Um detalhezinho gostoso que lembra que aquilo vai virar comida de verdade, bem na hora de pagar.
A gente criou rotas de marmita pré-configuradas (combos curados) que geram o próprio preview de link. Então quando alguém joga um preset num grupo de WhatsApp ou no Instagram, a thumbnail mostra exatamente aquela marmita em vez de um card genérico da home. Aquisição de graça, o que pesa diferente quando é você que paga o anúncio.
O fluxo inteiro de pedido, de montar até pagar, funciona sem conta. Marmita fit é compra recorrente, e tela de login é o jeito mais rápido de matar isso. A gente segurou essa restrição desde o primeiro dia, e é por isso que comprar ou achar o que você precisa nunca esbarra numa parede.
Branding, embalagem e a identidade visual inteira também são minhas, nada disso foi pra agência. Desenhar a caixa física junto com o produto digital é o motivo da marca se sustentar de abrir o app até dar a primeira mordida.

A gente construiu uma ferramenta interna que gera e imprime as etiquetas das marmitas direto do dashboard de operação. Etiquetagem, separação em lote e logística de cozinha rodam em software que a gente escreveu em vez de alguém fazendo na mão.

Um dashboard de operação totalmente customizado. Pedidos, fluxo da cozinha, impressão de etiqueta, feito pra ser usado todo dia por gente que não é técnica. Ferramenta interna quase nunca ganha atenção de design. Essa ganhou, porque o time que vive dentro dela é o meu.
Um jeito de fazer nossos clientes se sentirem especiais e virarem uma nova fonte de aquisição ao mesmo tempo.
Quando alguém é convidado pra virar embaixador, a página do pedido mostra uma cartinha animada que a pessoa tem que "abrir" e aceitar. Transforma um formulário em algo que ela lembra.
Da página de embaixador dá pra gerar um story (no formato do Instagram) montado na hora com o cupom da pessoa já embutido. Sem ferramenta de design, sem exportar na mão, sem esperar a gente.
Pra embaixador ativo, digitar o CPF no checkout dispara trombetas na tela inteira e coloca uma coroa em cima do nome. É brincalhão, meio exagerado, e exatamente o tipo de momento de status que faz a pessoa querer manter o posto. Mecânica pequena, retenção de verdade.
Nada disso foi desenhado no vácuo. Cada tela, animação e fluxo do marmita.fit teve que aguentar cliente de verdade pedindo comida de verdade, uma cozinha de verdade correndo atrás da janela de entrega, e um negócio que precisa dar dinheiro, não só ficar bonito.
Essa é a diferença desse aqui pro resto do meu portfólio. Não estou te mostrando o que eu construiria pra um cliente, estou te mostrando o que eu construí, coloquei no ar e ainda toco, como fundador, designer e o cara que escreveu o código.